quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O Brasil está muito longe de alcançar a Grã-Bretanha

Desde que o ministro Guido Mantega anunciou que o Brasil deve ultrapassar a Grã-Bretanha e se tornar a sexta economia do mundo, li inúmeras reportagens sobre o assunto. Esta notícia significa apenas o olhar sobre a riqueza produzida durante o ano, ou seja, produto interno bruto.

Sendo mais pragmático e crítico, o Brasil precisará fazer muito nas próximas décadas para se aproximar das maiores economias no mundo em matéria de desenvolvimento econômico e social.

Precisamos imediatamente combater a corrupção, diminuir a desigualdade social e aumentar maciçamente os investimentos em educação e saúde.

Também precisamos atacar diretamente:
  • Reduzir o custo de vida exorbitante (serviços como restaurantes são absurdamente caros – o preço médio do kilo da comida nos restaurantes em Belo Horizonte fica entre R$ 25,00 e R$ 30,00)
  • Melhorar o acesso a tecnologia. No Brasil a tecnologia atrasada ou de ponta é muito cara – Você já percebeu quanto custa um iPhone?
  • Reduzir os preços dos produtos importados. As famílias mais pobres são fortemente penalizadas quando decidem consumir produtos importados. A exploração é tão grande que algumas vezes fica parecendo que o produto importado não é para ser consumido por famílias de classe D e E. Não esqueça o caso recente dos carros importados. O Governo preferiu aumentar os impostos para privilegiar as montadoras instaladas no Brasil. Você viu algum carro nacional reduzir seus preços? Se souber de algum caso peço para nos avisar.
  • Reduzir o custo da saúde e melhorar o acesso. As famílias precisam pagar por planos de saúde, pois o Estado não oferece serviço universal de qualidade. Mesmo para quem paga o plano de saúde é preciso entrar em filas para atendimentos, consultas e reservas de exames. Recentemente em Belo Horizonte esperei 4 horas para medir a pressão sanguínea em uma Unidade de Pronto Atendimento da Unimed.
  • Investir em educação básica - O governo despeja montanhas de dinheiro para as universidades públicas e deixa de investir de fato na educação básica – infraestrutura, qualificação e valorização dos professores. Estamos presenciando ao longo das décadas o anúncio de políticas públicas para a educação quando de fato percebemos que são meros “remendos”.
  • Investir em políticas públicas para melhorar o desenvolvimento humano. Nosso IDH em 2011 é de 0,718 segundo o PNUD, que nos classifica em 84° lugar entre 187 países. Ganhamos uma posição em relação a 2010. A Noruega está em primeiro á uma distância sem precedentes no que diz respeito a temas como: educação, saúde, segurança, habitação.

Para um país em desenvolvimento (subdesenvolvido em algumas regiões do país) é muito estranho lermos notícias como: “o Rio de Janeiro subiu 17 posições no ranking de custo de vida e é hoje a 12ª cidade mais cara do mundo. São Paulo é a 10ª mais cara”.

Por último não vamos esquecer que os impostos no Brasil são elevadíssimos. Temos carga tributária de países de primeiro mundo e serviços de péssima qualidade. Você sabe quanto de imposto é investido em educação e saúde? E na segurança? Lá fora paga-se os impostos e sabe-se o quanto é investido. Transparência.

Daqui a alguns dias você vai comprar o material escolar para seu filho ou filha e nos preços você pagará as seguintes cargas tributárias (média): caneta (48%), lápis (36%), estojo (41%), mochila (40%), régua (45%).

Ai você vai lembrar que somos a sexta economia do mundo.
Como é que dorme com um barulho destes?

Nenhum comentário:

Postar um comentário