04/01/2012
Apenas 2
municípios em áreas de risco receberam recursos do programa de prevenção
Dyelle
Menezes
Do Contas
Abertas
Em
dezembro passado, o governo federal divulgou o mapeamento, produzido pelo
Serviço Geológico do Brasil (CPRM), das áreas mais propensas a sofrer algum
tipo de desastre natural. No entanto, segundo levantamento realizado pelo
Contas Abertas, dos 56 municípios considerados prioritários, ou seja, em
situação de elevado risco para o período de chuvas, apenas dois receberam verbas
do programa “Prevenção e Preparação para Desastres”, relativos ao Orçamento
Geral da União de 2011.
As
cidades agraciadas foram Florianópolis (R$ 308 mil) e São Paulo (R$ 156 mil). A
verba representa 1,5% do total pago em 2011 na rubrica específica de prevenção
a desastres. Os valores desconsideram os restos a pagar, compromissos assumidos
em gestões anteriores. (veja tabela)
O
mapeamento dos 56 municípios, a maioria localizada no Sul e Sudeste, foi
realizado a partir da amostra de 251 cidades com possível risco de desastres
naturais. Do total, 28 localidades encontram-se em situação de risco alto e
muito alto.
O
trabalho da CPRM revelou, ainda, que há 47,5 mil pessoas morando em áreas de
risco em seis municípios do Espírito Santo; 45.986 em nove cidades de Santa
Catarina; 25.526 em seis cidades no Rio Grande do Sul; 1.736 em quatro cidades
do Paraná, 2.650 em Outro Preto (MG) e 10.160 em Nova Friburgo (RJ).
Além
disso, 44.967 habitantes estão em risco em Angra dos Reis (RJ), cidade com
maior número de pessoas em situação de perigo. No total são 41.085
moradias e 168.365 cidadãos em áreas de “alto risco” e “muito alto risco”. Numa
segunda fase o mapeamento abrangerá as regiões Nordeste e Norte.
Com
verbas de gestões anteriores
Se
considerado o pagamento de restos a pagar (compromissos registrados em
orçamentos anteriores), onze municípios não receberam recursos dos programas de
“Prevenção e Preparação para Desastres” e “Resposta aos Desastres e
Reconstrução”, as duas rubricas específicas do governo, coordenadas pelo
Ministério da Integração Nacional, para lidar com calamidades.
As
cidades não atendidas Marechal Floriano e Santa Leopoldina, no Espírito Santo,
de Almirante Tamandaré, Antônia e Rio Branco do Sul, no Paraná, de Catangalo,
no Rio de Janeiro, Igrejinha, Itati e Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, Luís
Alves, em Santa Catarina, e Campos do Jordão, em São Paulo.
As
cidades de Belo Horizonte (MG), Nova Iguaçu (RJ), Rio de Janeiro (RJ),
Florianópolis (SC), Ilhota (SC), Timbó (SC), Diadema (SP), São Paulo (SP) e
Taboão da Serra (SP) foram agraciadas apenas com recursos do programa de
prevenção. Ao todo, as nove localidades receberam R$ 9,5 milhões em verbas
preventivas no ano passado.
Em
contrapartida, entre os municípios cotados para possíveis desastres, 44
embolsaram recursos do programa “Resposta aos Desastres e Reconstrução”.
No total, essas localidades foram contempladas com R$ 441,5 milhões para
remediar as tragédias. (reveja tabela)
Contraditoriamente,
os três municípios que foram mais beneficiados pelo programa “Prevenção e
Preparação para Desastres” em 2011, não constam na lista das cidades sujeitas
às catástrofes. A campeã de embolso (R$ 25,1 milhões) é a capital de
Pernambuco, Recife.
Contudo,
os gastos elevados em 2011, decorrentes do início das obras das barragens de
Panelas 2 e dos Gatos, cujo custo é estimado em R$ 50 milhões, foram apenas o
começo do complexo planejado. Com a construção de cinco novas barragens em
Pernambuco, o Ministério da Integração espera investir R$ 500 milhões nos
próximos anos, beneficiando diversos municípios.
O ranking
é formado ainda por Mandirituba, no Paraná, que recebeu R$ 8,6 milhões no ano
passado, e por Ipeuna, em São Paulo, que embolsou R$ 7,1 milhões.
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