Mesmo como
6ª economia, Brasil continua pobre, diz economista da UNCTAD
Mário Camera
De Paris para a BBC Brasil
Post publicado em 28 de
dezembro, 2011 - 12:15 (Brasília) 14:15 GMT (BBC Brasil)
O Brasil
continuará sendo um país pobre, mesmo com a previsão de que a sua economia vai
ultrapassar a britânica como 6ª maior do mundo, segundo o economista Joerg
Mayer, da Divisão de Globalização e Desenvolvimento Estratégico da Conferência
das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD, sigla em inglês).
"O país ganha um pouco de
prestígio, mas, como a população brasileira é muito numerosa, a renda média é
muito mais baixa", disse o economista à BBC Brasil. "Mesmo como sexta
economia mundial, o Brasil continua pobre", afirmou.
Agnès Bénassy-Quéré, diretora do
Centro de Pesquisas Prospectivas e de Informações Internacionais, em Paris,
também relativiza as projeções divulgadas nesta semana. "É preciso muita
precaução", disse a economista à BBC Brasil.
"O Brasil apresenta um
crescimento fulgurante, pois os cálculos são feitos em dólar, que tem se
desvalorizado nos últimos anos. Não é possível dizer que esses números são
definitivos", afirmou a economista.
Para Bénassy-Quéré, o excesso de
valor do real é o fator principal para a economia brasileira ultrapassar a da
Grã-Bretanha. "A moeda brasileira valorizou-se muito nos últimos anos,
enquanto a libra esterlina sofreu uma forte desvalorização. Isso faz uma
diferença enorme."
Assim como o representante da
UNCTAD, a economista francesa acredita que o cálculo mais realista para mostrar
a situação da economia brasileira atualmente deveria basear-se no PIB per
capita.
"O PIB per capita do Brasil
representa apenas 25% do americano", diz Bénassy-Quéré. "Nas
projeções que fizemos, em 2050 o PIB per capita brasileiro alcançará apenas 45%
do nível registrado nos EUA."
Maré alta
Apesar da dificuldades, ambos
acreditam que o crescimento da economia ajudará a melhorar os índices sociais
brasileiros a longo prazo. "Na maré alta, todos os barcos sobem",
afirma Bénassy-Quéré. Para ela, o momento é de investir em setores estratégicos
para o desenvolvimento da sociedade brasileira.
"É preciso adotar medidas
políticas que mudem dois pontos essenciais: a educação e a poupança", diz
a economista.
"Se pegarmos o nível de
educação no Brasil, vemos que ele é muito baixo, com menos de 10% da população
ativa com um diploma universitário. Isso situa o país muito abaixo de China,
Índia e Rússia, por exemplo."
Sobre o risco de inflação devido
ao forte crescimento da economia - destacado constantemente pelo Banco Central
na hora de aumentar as taxas de juros -, Mayer afirma que basta uma política
salarial atrelada à produtividade.
"Se os salários aumentam
junto com a produção e não por causa da demanda, é possível controlar a
inflação sem mexer nas taxas de juros", explica o economista.
As projeções de que o Brasil
deve ultrapassar a Grã-Bretanha como 6ª economia mundial foram feitas pelo
Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR, na sigla em inglês), com sede
na Grã-Bretanha.
A previsão, que já havia sido
feita por outras entidades, só poderão ser confirmadas nos primeiros meses de
2012, quando ambos os países divulgarão o resultado do crescimento de suas
economias.
Sinceramente, tô cansando disso. Só oportunista de plantão falando obviedades. É claro, é óbvio, é lógico que um país que foi deixado por centenas de anos no atraso não virará uma potência de um dia para outro. As mudanças são lentas e difíceis (são muitos e muitos brasileiros que não querem que o Brasil melhore). Não preciso desfiar o rosário de melhorias que o país teve nos últimos 8 anos. O mantra tem que ser: hoje estamos melhor que ontem e pior do que amanhã. E pra esses chatos, tô tomando Johnnie Walker com Activia!
ResponderExcluirDa uma lida nisso: http://migre.me/7sIzs
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