2 de janeiro de 2012 | 18h30 – Estadão.com.br
(Economia & Negócios)
Paul
Krugman
Brad
DeLong aponta para repetidas citações de economistas de Chicago afirmando que
todo o economista que propuser o estímulo fiscal – Christy, Larry, eu – é
necessariamente corrupto. E ainda há pessoas que perdem a calma por causa dos
meus insultos contra elas!
A força
que impulsiona estes comentários – ao menos numa primeira instância – é a
crença dos economistas de Chicago segundo a qual “ninguém” defendeu que a
política fiscal pode ser expansionista desde a revolução das expectativas
racionais dos anos 70 – algo bastante falso. Na verdade, o que ocorreu nos anos
70 foi o seguinte: os economistas de Chicago pararam de ler autores que não
compartilhassem totalmente de suas próprias crenças, o que significou que eles
perderam a retomada do modelo econômico
keynesiano (isso mesmo, um estudo de Greg Mankiw), e tudo o
mais que veio na esteira desta retomada.
No meu
caso, quando o possível papel desempenhado pela política fiscal começou a ser
mencionado, meus pensamentos se voltaram imediatamente para Obstfeld-Rogoff.
Este tipo de coisa – que teve muita influência na macroeconomia internacional –
tinha como base um modelo de plena equivalência ricardiana. Independentemente
disto, aumentos temporários nas compras do governo causavam aumentos
temporários na demanda agregada.
Não
pretendo defender que esta seja a única maneira inteligente de se pensar tais
questões; o bom e velho modelo IS/LM é na verdade uma ferramenta de análise
surpreendentemente poderosa. Mas o modelo O-R era bastante completo, e mostrava
que, ainda assim, a política fiscal poderia afetar a demanda. Nenhum economista
que tenha lido Obstfeld-Rogoff – ou que tenha uma vaga noção da obra desta
dupla e de tantos outros pensadores trabalhando no domínio do novo
keynesianismo – poderia ter feito comentários iguais aos de Fama, Cochrane e
Lucas.
Assim
sendo, toda esta controvérsia demonstra apenas o grau de insularidade em que
vivem os economistas de Chicago; a escola deles se converteu num culto
impenetrável, fechado a todas as informações vindas de fontes pagãs.
Ora, é
claro que, depois de terem tentado fazer valer seus conceitos mesmo diante de
pessoas que estavam muito à sua frente – até em termos da elaboração de
caprichados modelos econômicos -, eles se veem agora numa posição que os obriga
a serem ainda mais impenetráveis para salvar o respeito próprio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário