Por Fernando Dantas, da Agência Estado
O custo de vida do Brasil superou o dos Estados Unidos em 2011, quando medido em
dólares, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o PIB dos
187 países-membros. Este fato é extremamente anormal para um país emergente. Em
uma lista do FMI de 150 países em desenvolvimento, o Brasil é praticamente o
único cujo custo de vida supera o americano em 2011, o que significa dizer que
é o mais caro em dólares de todo o mundo emergente.
Na verdade, há outros quatro casos semelhantes,
mas referentes a São Vicente e Granadinas, um arquipélago minúsculo; Zimbábue,
país cheio de distorções, onde a hiperinflação acabou com a moeda nacional; e
Emirados Árabes Unidos e Kuwait, de população muito pequena, gigantesca
produção de petróleo e renda per capita de país rico.
Considerando economias diversificadas como o
Brasil, contam-se nos dedos, desde 1980, os episódios em que qualquer um de
mais de cem países emergentes apresentasse, em qualquer ano, um custo de vida
(convertido para dólares) superior ao dos Estados Unidos.
Há uma explicação para isso. O preço da maioria
dos produtos industriais tende a convergir nos diferentes países, descontadas
as tarifas de importação. Isso ocorre porque eles podem ser negociados no
mercado internacional, e, caso estejam caros demais em um país, há a
possibilidade de importar. Mas a maioria dos serviços, de corte de cabelo a
educação e saúde, não fazem parte do comércio exterior. Assim, eles divergem
muito em preço entre os países.
Em nações ricas, com salários altos, os serviços
geralmente são muito mais caros do que nos emergentes. Isso se explica tanto
pelo fato de que a renda maior tende a puxá-los para cima, como pelo fato de
que a mão de obra empregada no setor de serviços recebe muito mais e representa
um custo maior. Dessa forma, é principalmente o setor de serviços que faz com
que o custo de vida seja mais alto no mundo avançado. Na comparação com os
Estados Unidos, os países emergentes são quase sempre mais baratos. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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