Radar Econômico (Estadão.com.br)
4 de janeiro de 2012 | 18h19
Por Sílvio Guedes
Crespo
Depois que o Brasil
vendeu títulos públicos a investidores americanos e europeus com a menor taxa
de juros da sua história, o site do “Financial Times” lembrou que o País já foi
ridicularizado em outros tempos e agora aparece em posição invejável.
“O país
latino-americano, antes ridicularizado por sua hiperinflação e por uma
constante crise de moedas, vendeu títulos em dólar por US$ 750 milhões [...]
com um retorno de 3,449%”, afirmou o “FT” em uma reportagem intitulada “Compradores
andam em mana rumo aos títulos do Brasil“.
Em outro texto, com o
título “Feliz 2012! A
venda de títulos de Ano Novo do Brasil“, o diário britânico diz
que o País “mais uma vez ostentou sua invejável posição nos mercados de dívida
global”.
Ao aceitar receber
juros de apenas 3,449% para papéis com vencimento em dez anos, os investidores
mostraram que, neste momento, confiam mais na capacidade do Estado brasileiro
de honrar suas dívidas do que na de algumas das grandes economias da Europa.
Títulos da Itália com
o mesmo prazo de vencimento eram negociados com um retorno de 6,9%; os da
Espanha, com 5,2%.
O “FT” chega a
afirmar que o retorno oferecido pelos papéis brasileiros está baixando para um
nível próximo dos títulos franceses. De acordo com o site do Wall Street
Journal, os papéis da França com vencimento em dez anosoferecem um retorno de
2%.
“Sólido crescimento
econômico de 3% no ano passado, classe média em rápida expansão, estabilidade
política e a perspectiva de que as agências de classificação de risco melhorem
a nota de crédito brasileiro tornaram a dívida do País desejável por
investidores como fundos de pensão e bancos”, disse o “FT”.
Ao mesmo site, um
analista afirmou: “O Brasil tem uma dinâmica política estável e perspectiva
grande melhora econômica. Além disso, tem uma política monetária de
credibilidade, diferentemente de outros mercados emergentes como a Turquia”.
Além dos US$ 750
milhões vendidos a europeus e americanos na terça-feira (3), o governo captou
nesta quarta-feira US$ 75 milhões no mercado asiático.
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