Por Rafael Moraes Moura, da Agência Estado
Brasil
e México começam, na próxima semana, a renegociar o tratado automotivo entre os
dois países, que está em vigor desde 2002. A decisão foi selada hoje entre a
presidente Dilma Rousseff e seu colega mexicano, Felipe Calderón.
"Queremos rever os termos do acordo. Isso vai ser feito em um prazo
relativamente curto", disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior, Fernando Pimentel.
Calderón
ligou para a presidente ontem à tarde. Durante a conversa, que durou cerca de
15 minutos, Dilma explicou ao colega mexicano os problemas identificados pelo
Brasil na atual estrutura do tratado. "Calderón mostrou toda a abertura em
rever os termos de negociação do acordo. No momento atual, o acordo, de fato, é
desequilibrado contra o Brasil. Ele entendeu as razões que a presidenta
expôs", afirmou Pimentel, que junto com o ministro das Relações
Exteriores, Antonio Patriota, acompanhou a conversa.
A
ameaça de romper o tratado automotivo foi a forma encontrada pelo governo
brasileiro para pressionar os mexicanos a retomar uma discussão mais ampla.
Desde 2009, o Brasil negocia um amplo acordo com o México, que engloba desde
comércio até investimentos e compras governamentais. O fraco desempenho das
exportações no início deste ano acabou servindo de estopim para que o governo
elevasse o tom da discussão.
Sem ruptura
Pimentel
negou que o governo estivesse interessado em uma "ruptura" do acordo.
"Isso não se coloca. O que existe é uma cláusula de saída, que está
prevista no acordo, que pode ser utilizada caso o acordo deixe de ser
interessante. O que apontamos como uma possibilidade foi a utilização da
cláusula de saída", disse.
A
disposição, entretanto, é rever os termos do acordo. "Queremos aumentar o
conteúdo regional na produção dos veículos, tanto no México quanto no Brasil, e
ampliar o escopo do acordo, de forma que não seja apenas para automóveis de
passeio, que inclua caminhões, ônibus, utilitários", explicou Pimentel.
"Essas são as linhas gerais, mais que isso não seria oportuno avançar aqui
agora antes de conversar com os mexicanos", acrescentou.
O
ministro da Economia mexicano, Bruno Ferrari, e a chanceler Patrícia Espinosa
devem viajar para o Brasil na próxima semana para tratar do assunto. O
presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores
(Anfavea), Cledorvino Belini, disse que o setor aceita negociar uma mudança no
acordo. "Viemos manifestar que achamos o acordo muito importante para o
nosso País. Confirmamos a necessidade de manter esse acordo", disse, após
reunião com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.
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