10/02/2012
Gustavo Nicoletta, da Agência Estado
WASHINGTON
- O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, afirmou que são necessárias
novas políticas para ajudar a recuperar o mercado de habitação dos EUA.
"Precisamos continuar desenvolvendo e implementando políticas que auxiliem
o setor de moradia a se reerguer", afirmou a autoridade durante um
discurso preparado para a Associação Nacional de Construtores de Moradias do
país.
Os
preços das residências caíram aproximadamente 30% nos EUA num período de cinco
anos e foram executadas hipotecas de aproximadamente 1,9 milhão de moradias nos
últimos dois anos. Esses fatores, entre outros, ecoaram negativamente na
economia. "As condições do setor de moradia são um grande obstáculo a uma
recuperação mais acelerada", disse Bernanke.
Os
comentários do presidente do Federal Reserve representam a pressão mais recente
do banco central norte-americano sobre os congressistas dos EUA para que sejam
adotadas medidas para sanar o mercado de habitação. Ontem, o governo do país
anunciou um acordo com cinco bancos que estavam sendo investigados por práticas
abusivas em relação à execução de hipotecas. As instituições financeiras
envolvidas aceitaram sofrer sanções que devem somar cerca de US$ 26 bilhões
entre pagamentos em dinheiro e reestruturações de empréstimos.
Bernanke
reconheceu os esforços recentes do governo, mas disse que alguns
norte-americanos não conseguirão pagar suas hipotecas mesmo com modificações
drásticas nos termos dos empréstimos. Segundo ele, há outras formas para lidar
com a situação do setor de habitação. Uma delas seria alugar os imóveis tomados
por bancos e que estão vazios. "Com os preços das moradias caindo e os
aluguéis subindo, pode fazer sentido em alguns mercados", acrescentou.
Segundo
Bernanke, o aperto no crédito bancário continua afetando a economia dos
EUA e o Federal Reserve está "intensamente concentrado" em melhorar
essas condições.
"Até
certo ponto, o aperto no crédito é esperado. Sabemos que os requerimentos de
crédito ficaram muito frouxos antes da crise e que ele era sem dúvida
necessário para a segurança dos bancos, do sistema financeiro e dos tomadores
de empréstimo", disse, ressaltando, porém, que talvez esse aperto tenha
ido longe demais. As informações são da Dow Jones.
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