quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Incompetência brasileira: Governo quer romper acordo automotivo com México

Por Marcelo P. de Mendonça



O governo brasileiro anunciou nesta quinta-feira (02/02/2012) que estuda romper o acordo automotivo mantido com o México devido ao déficit crescente no comércio de automóveis entre os dois países.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o acordo automotivo firmado em 2002 passou a ser desfavorável para o Brasil em 2009. Nos últimos anos o México se tornou uma boa opção de compras de veículos para algumas montadoras estabelecidas no país, como por exemplo a Volkswagen, Fiat e Chevrolet.
As importações de carros do México tiveram alta de quase 40% em 2011, superando os US$ 2 bilhões. O déficit comercial ficou um pouco abaixo de US$ 1,7 bi, já que o Brasil exportou US$ 372 milhões.
Segundo a Fenabrave, em 2011, o México ficou no terceiro lugar no ranking de principais origens de importações brasileiras de veículos, com participação de 13,8%, atrás de Coreia do Sul, com 19,2%; e Argentina, com 44%.
A explicação é simples. Na década de noventa a indústria automobilística brasileira se especializou em produzir carros "populares". Nos acordos automotivos destinava-se benefícios fiscais e financeiros para veículos de baixa motorização (1000 cilindradas). Os carros de maior cilindrada viriam da Argentina e do México.
Este foi um erro brutal cometido pelas montadoras e pelo governo brasileiro. Apostaram num mercado de automóveis para consumidores de renda mais baixa. Esqueceram de que o cenário econômico para o Brasil poderia mudar.
Nos últimos anos a renda média do brasileiro aumentou, com isso, o gosto e preferência pelos automóveis mudou. A classe média agora quer carros maiores, mais potentes, com mais opcionais, conforto e com boa relação custo-benefício. Os carros "populares" nem de longe atendem a estes consumidores. Neste novo mercado as montadoras mexicanas e coreanas deitaram e rolaram.
Pergunta: Por que montadoras e Governo não fazem um novo acordo automotivo, mais moderno, desonerando a produção para que carros médios fiquem mais baratos e viáveis de serem produzidos no Brasil?
Difícil imaginar que isso vá ocorrer algum dia, pois as montadoras aqui no Brasil continuam a insistir numa velha fórmula: carros "populares" com preços de carros médios no exterior que lhe garantem margens de lucro extraordinariamente altas. E o Governo? Este continua a arrecadar muito tributo com os automóveis e punir o consumidor.
Como o rompimento do acordo com o México deve ser oficialmente anunciado nos próximos dias pelo Governo, significa que optaram pelo caminho mais fácil e incompetente.
  

3 comentários:

  1. Não acho que foi um erro brutal: era o negócio da vez. Como você disse, "o cenário poderia mudar". Agora que mudou, o governo acerta em acabar com o acordo. Porque ficar dando dinheiro e gerar empregos para outro país? Porque a indústria automotiva nacional canalhamente precisa continuar tendo lucros gigantescos se aproveitando de acordos econômicos? Grande decisão do governo brasileiro! Acordos "caracu" nunca mais!

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  2. Concordo consigo Marcelo. Estamos habituados a assistir decisoes onde o comprador nao conta. Machado.

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    1. Comprador não conta? Olha só: Comprador = trabalhador. Se não produzimos aqui, não temos emprego = trabalhador = comprador.

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