26 de fevereiro de 2012 | 3h 07
por Eduardo Cucolo / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Enquanto o governo se esforça para reduzir a
parcela dos títulos indexados à taxa básica de juros (Selic) na dívida pública,
investidores pessoas físicas já começam a abandonar essas aplicações.
No Tesouro Direto, que permite a compra direta
de títulos do governo federal pela internet, a participação dos papéis
corrigidos pela Selic caiu pela metade em seis anos, para 13% do total, menor
porcentual desde 2002.
As pessoas que aplicam por fundos de
investimento também têm preferido a renda fixa - que representa hoje um terço
das aplicações - e os fundos DI, cuja participação caiu de 18% para menos de
12% no mesmo período, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos
Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Essa mudança, segundo especialistas, pode ser
explicada pela busca por uma remuneração maior em um período em que os juros
caíram, a economia se estabilizou, mas a inflação ainda corrói o ganho real dos
poupadores.
O título vendido a pessoas físicas que acompanha
a Selic é a chamada LFT. O investidor compra o papel e o valor é corrigido
diariamente pela taxa básica, hoje de 10,5% ao ano. Em 2011, a rentabilidade
desses papéis foi de 11,7%, abaixo da verificada nos títulos prefixados (14,6%)
e nos indexados à inflação (15,3%).
Inflação. A rentabilidade maior nos últimos anos
contribuiu para que os títulos corrigidos pela inflação passassem de um terço
para mais da metade das aplicações no Tesouro Direto desde 2006. Essa procura
levou o Tesouro a criar, há alguns anos, um segundo título indexado ao IPCA, a
NTN-B Principal, exclusivo para esses investidores.
Há hoje nove opções de títulos atrelados à
inflação para pessoas físicas, com prazos que vão até 2045 e aplicação inicial
de pouco mais de R$ 100. No caso das LFTs, são apenas dois, com vencimento de
no máximo cinco anos e mínimo de R$ 1.000.
Os títulos indexados à taxa básica têm, no
entanto, uma vantagem em relação aos demais. São os únicos que podem ser
vendidos a qualquer momento sem o risco de desvalorização. Títulos prefixados
ou corrigidos por índices de preços só têm rentabilidade garantida para quem
fica com eles até o vencimento, que atualmente varia de 12 meses a 33 anos,
dependendo do papel.
Ao longo desse período, o título pode perder
valor, embora a perda seja bem mais limitada do que na Bolsa e normalmente só
atinja aplicações de prazos mais curtos, de poucos meses.
"São papéis que envolvem um risco maior e
que só garantem a taxa de retorno se forem carregados até o vencimento. Quem
quiser se desfazer antes está sujeito à variação do mercado", diz o
professor de Finanças Vinicius Brandi, do Ibmec-DF.
Caderneta. Outro investimento que concorre
diretamente com as aplicações atreladas à taxa básica é a caderneta de
poupança, que é isenta de Imposto de Renda. Como a previsão para este ano é de
uma Selic média abaixo de 10%, a rentabilidade líquida das LFTs vai se
aproximar ainda mais do resultado da caderneta. Em relação aos fundos de
investimento, a poupança já é uma opção mais vantajosa para quem faz aplicações
de menor volume, diz Otto Nogami, professor do Insper.
Nenhum comentário:
Postar um comentário