Por Daniela
Chiaretti | Valor em 20/02/20
A Rio+20, a
conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável que acontece no
Rio, em junho, deveria dar impulso a uma ideia que vem circulando pelo mundo há
mais de 20 anos: encontrar um novo indicador para o bem-estar das nações que
não seja o Produto Interno Bruto, o PIB.
Essa é uma das
recomendações de um estudo que reúne 20 vencedores do Blue Planet Prize,
conhecido como o Nobel do ambiente. Dezesseis são pessoas com trabalho
reconhecido internacionalmente (a norueguesa Gro Harlem Brundtland, o americano
James Lovelock, o britânico Nicholas Stern) e quatro são organizações ou
institutos de ciência que trabalham com desenvolvimento ou ambiente, como o
inglês IEED, o Barefoot College, a ONG Conservation Internacional e a
International Union for the Consevation of Nature (IUCN).Entre os autores está
o brasileiro José Goldemberg, com três artigos.
O estudo foi lançado
ontem, em Nairóbi, no Quênia, na sede do Pnuma, o Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente. Nesta semana, acontece na cidade uma reunião com 1.500
delegados de mais de 190 países e ministros do meio ambiente de todas as partes
do mundo. É a última reunião ministerial antes da Rio+20.
“Os governos deveriam
reconhecer imediatamente as sérias limitações do PIB como uma medida de
atividade econômica e complementá-la com indicadores que integrassem as
dimensões econômica, social e ambiental”, diz o estudo.
“Se um país destrói
toda a sua floresta, terá rapidamente um PIB muito alto, mas não se terá medido
o incrível ativo natural que ele perdeu e que fará o futuro muito mais
incerto”, explica a economista Camila Toulmin, diretora do IIED. “Se você viver
em uma sociedade mais violenta, onde é preciso gastar muito com polícia e
armas, o PIB será alto, mas isso significa que aquela sociedade está melhorando
seu padrão de vida?”.
O atual sistema
energético, muito dependente de combustíveis fósseis, é outro problema apontado
pelos cientistas. A necessidade de reverter a curva ascendente de emissões de
gases-estufa, que continua em elevação a despeito da crise econômica global, é
mais um ponto levantado pelo estudo. “Os compromissos atuais que existem hoje
estão levando o mundo a um aumento de 3 graus na temperatura, com sérios riscos
de chegar a mais 5 graus”, diz Bob Watson, o conselheiro científico-chefe do
DEFRA, o ministério britânico de ambiente. “Mais 5 graus é uma temperatura que
o planeta não registra há mais de 30 milhões de anos”, disse ele a uma plateia
de políticos e diplomatas reunidos na sede do Pnuma.
O estudo menciona
também as perdas massivas de biodiversidade – “sem precedentes nos últimos 65
milhões de anos” – e a necessidade de se ampliar os programas de capacitação e
treinamento como foco nos políticos, formadores de opinião e homens de negócio.
O trabalho será
entregue aos ministros dos vários países antes da Rio+20, para inspirar as
decisões que serão tomadas no Rio de Janeiro, em junho.
(Daniela
Chiaretti | Valor)
A
jornalista viajou a Nairóbi a convite do Programa das Nações Unidas pelo Meio
Ambiente (Pnuma).
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