Por Adriana Fernandes, de O Estado de S. Paulo
A
expectativa de que o Banco Central (BC) fará na próxima semana um corte maior
da taxa de juros básica da economia, a Selic, reacendeu com força o debate em
torno da necessidade de encaminhar as mudanças na remuneração fixa da caderneta
de poupança.
O
problema é que ainda não há consenso no governo sobre a melhor hora de tirar a
proposta da gaveta.
"Tecnicamente
a proposta está pronta. Falta a decisão da presidente e do ministro Guido
Mantega", disse uma fonte da equipe econômica ao Estado. A proposta
vincula a correção das cadernetas à Selic, definida pelo Comitê de Política
Monetária (Copom) do BC.
O
governo está dividido em torno do momento político e, agora, também do momento
econômico para mexer no rendimento do instrumento financeiro mais popular do
País. A indústria de fundos de investimentos aumentou a pressão sobre a equipe
econômica para acelerar a mudança.
O
Estado apurou que Mantega considera que não é necessário enviar a proposta ao
Congresso agora porque a Selic está acima do patamar necessário para que a
mudança seja feita.
Mesmo
que o Copom decida, na próxima quarta-feira, por um corte maior da Selic, como
indicava o mercado financeiro ontem (investidores apostam numa redução de 0,75
ponto porcentual), a taxa básica cairia para 9,75% ao ano - patamar que para
Mantega não justificaria o encaminhamento de uma medida provisória (MP) para
alterar o rendimento da poupança. Só uma queda mais acentuada dos juros, ao
longo dos próximos meses, mudaria esse quadro.
Por
outro lado, segundo fontes qualificadas, há integrantes da equipe econômica que
acham que a presidente Dilma deve enfrentar o problema agora para "não
ficar na mão depois", segundo palavras de uma fonte da Fazenda. Para esse
grupo, a falta de uma solução para a poupança vai se tornar em breve um
impeditivo para a continuação da queda dos juros.
Segurança
Jurídica. Uma alternativa que vem sendo apresentada como solução para enfrentar
as resistências políticas à mudança é deixar claro para a população que a regra
só vai atingir depósitos novos dos investidores. Essa proposta tem apoio do BC.
A definição
dessa regra afasta também a insegurança jurídica. Há entendimento que a
caderneta é um contrato renovado mensalmente e, portanto, uma mudança poderia
atingir o estoque. Mas, além de ser uma medida negativa em ano de eleições, há
o temor de que os poupadores entrem em massa na Justiça.
Num
esforço de comunicação, o governo deveria ir a público para explicar que a
mudança não afeta os investimentos já feitos e que ela é necessária para a
continuação da queda dos juros, processo que beneficia a todos.
Preocupações
políticas já travaram o debate sobre a mudança na remuneração da poupança. Em
2009, quando a Selic estava em 8,75% - em plena campanha eleitoral para
sucessão do presidente Lula - as discussões foram suspensas porque a oposição
aproveitou o debate para dizer que o governo ia reduzir o rendimento das
cadernetas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário