Custo de
produção de carro é igual ao dos EUA
25 de março de 2012 | 3h 08
por CLEIDE SILVA - O Estado de S.Paulo
O
Brasil é, no momento, a bola da vez para muitos investimentos do setor
automobilístico. O mercado interno crescente é o principal atrativo para as
montadoras que desejam se instalar no País. Nenhuma delas pretende transformar
as novas filiais em plataforma de exportação para outros países, porque os
custos produtivos não compensam. O preço para fabricar um carro pequeno no País
hoje é igual ao dos Estados Unidos e do Japão.
Só
o custo de manufatura de um modelo compacto no Brasil gira em torno de US$ 1,4
mil no Brasil, valor equivalente ao dos EUA e Japão. No México, o custo é de
US$ 600, na Tailândia de US$ 500 e na China, de US$ 400. O Brasil só é mais
barato que a Europa Ocidental, especialmente Alemanha e Reino Unido, onde o
custo sobe para US$ 1,8 mil, segundo dados da PricewaterhouseCoopers (PwC).
O
custo de montagem inclui basicamente mão de obra, material indireto e energia e
água e tem peso de 20% no processo produtivo total. A fatia maior é a de
materiais e componentes, que representa 60% do custo total e também é
"muito alta no Brasil" porque os fornecedores enfrentam o mesmo
efeito em cascata de taxas, mão de obra e matéria-prima caras, informa Dietmar
Ostermann, líder global para a área automotiva da consultoria PwC.
Ostermann
esteve no Brasil na semana passada e ressalta que construir uma fábrica local
custa mais que nos EUA e na Europa. Os impostos sobre equipamentos e
maquinários para a produção são um dos principais itens nessa conta. Outro item
é o custo da mão de obra, que leva em conta também o tempo gasto na produção. E
tem ainda o alto preço da matéria-prima.
Segundo
Ostermann, americanos e chineses (de empresas com joint venture internacional)
levam em média 15 horas a 19 horas para produzir um automóvel. No Brasil, são
necessárias de 26 a 30 horas, levando em conta o mesmo nível de automação da
fábrica e do produto.
"Os
trabalhadores brasileiros precisam ser mais flexíveis", afirma Ostermann.
Ele lembra que, nos EUA, montadoras e dirigentes do UAW, o principal sindicato
dos metalúrgicos, tiveram de rever acordos para evitar o colapso da indústria
local. Ele defende uma ação conjunta entre empresários e trabalhadores para
evitar situação semelhante à das montadoras americanas, que tiveram de
renegociar os contratos trabalhistas no recente processo de reestruturação.
Ainda
assim, o Brasil atrai montadoras porque tem mercado interno crescente. É o
quarto maior em vendas, atrás de China, EUA e Japão. Tem uma relação de sete
habitantes por veículo, enquanto nos mercados maduros a paridade é de um a dois
por habitante. Some-se a isso a estagnação de vendas nesses mercados e a crise
na Europa.
"As
empresas vêm para o Brasil porque não têm outra opção", diz Ostermann. Enquanto
o mercado interno for atrativo, elas virão, até porque os demais países, com
exceção dos emergentes, estão estagnados. Ele ressalta, contudo, que o mercado
brasileiro equivale a 15% do chinês. E lá a relação de habitantes por veículo
mostra potencial muito maior, assim como na Índia.
Além
disso, o País vem perdendo exportações, por falta de competitividade. Com raras
exceções, as novas montadoras, assim como as mais antigas, também não têm
planos de desenvolver projetos locais.
Diferenças
internas. O presidente da General Motors América do Sul, Jaime Ardila, confirma
os altos custos para produção no Brasil e acrescenta que há também diferenças
internas, principalmente em relação à mão de obra. "Produzir em São Paulo,
por exemplo, é o dobro do custo em relação ao Rio Grande do Sul, Bahia e Minas
Gerais." A diferença, porém, pode ser amenizada porque a logística para
distribuir os carros feitos em outros Estados é outro fator de custo.
Na opinião
de Ardila, para mudar esse cenário o País precisaria mudar as leis
trabalhistas, possibilitando mais flexibilidade nas contratações, diminuir e
simplificar a carga tributária e reduzir custos logísticos. "Parabenizo o
governo pelas ações que tem tomado, mas ainda não são suficientes." Ardila
discorda apenas de que construir uma fábrica no Brasil é mais caro que em
outros países. "Para nós, o custo é muito similar, e gira em torno de US$
600 milhões."
"Reporcagem" encomendada. Isso é para desviar a atenção dos lucros absurdos das montadoras.
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