quarta-feira, 7 de março de 2012

Crescem as apostas em corte maior da taxa Selic


Denise Abarca e Maria Regina Silva, da Agência Estado

A previsão de que a taxa básica de juros, Selic, atualmente em 10,50%, será reduzida em 0,50 ponto porcentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nesta semana deixou de ser unânime no mercado financeiro.

Desde a sexta-feira, algumas instituições alteraram sua estimativa para o resultado do encontro, o que levou o serviço AE Projeções, da Agência Estado, a atualizar seu levantamento realizado com 75 casas, publicado na quinta-feira, no qual todas esperavam Selic em 10,00% este mês. Três delas - Icap Brasil, Nomura Securities e Leme Investimentos - revisaram suas projeções para uma queda maior, o que levaria a taxa básica para um dígito este mês.

Entre as justificativas para uma alteração às vésperas da decisão, os economistas citam a postura que o governo tem adotado para segurar o câmbio, a expectativa de um número fraco para o PIB, as sinalizações da equipe econômica, a discussão sobre o juro neutro e até a redução da meta de crescimento anunciada pela China. Porém, uma outra corrente contesta algumas dessas razões.

No caso da Icap Brasil, a economista-chefe Inês Filipa agora crê que o Copom reduzirá a Selic em 1 ponto porcentual, colocando-a em 9,50%. Conforme explicou à Agência Estado, a previsão está de acordo com aquilo que acredita que o Copom vai fazer, e não com o que ela julgaria correto. "No final de semana, foi curioso ver o Tombini (Alexandre Tombini, presidente do BC), que é uma pessoa muito reservada, se dar ao trabalho de falar com a imprensa e ficar reforçando a queda dos juros para um dígito", disse, na sexta-feira passada.

O chefe de Pesquisa de Mercados Emergentes para as Américas da Nomura Securities, Tony Volpon, listou argumentos para amparar a revisão de sua estimativa, inicialmente de uma redução de 0,50 ponto para uma queda de 0,75 ponto porcentual: baixo crescimento da economia esperado para o primeiro trimestre; a necessidade de reduzir o fluxo de liquidez para o Brasil, que provoca a apreciação do câmbio; a discussão sobre a taxa neutra fomentada pelo BC e o fato de que, segundo ele, o governo vê os problemas inflacionários restritos ao setor de serviços. "Uma vez que o setor de serviços responde menos a uma política mais apertada, não faz sentido manter os juros elevados só por causa desde setor", disse.

Por fim, a Leme Investimentos informou ontem que também espera agora que a Selic seja reduzida para 9,75% ainda esta semana. De acordo com o sócio-gestor da instituição Paulo Petrassi, a revisão está amparada em três fatores: o maior fluxo de dólares com as injeções de recursos no mercado pelo Banco Central Europeu, a surpresa positiva do resultado fiscal do País de janeiro e o fato de a China ter reduzido sua meta de crescimento de 8,0% para 7,5% em 2012.

Embora apenas três casas tenham alterado "oficialmente" sua estimativa para a decisão do Copom, não foram poucos os economistas que, ao serem perguntados sobre se haviam alterado seu número, responderam que não, porém não se surpreenderiam com um corte maior.

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