Por Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa, da Agência
Estado
A
decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de abrir o jogo, ao indicar o
piso de 9% para a queda dos juros, não só provocou uma revolução nesta
quinta-feira no mercado financeiro, mas também deixou claro que o Banco Central
acelerou a dosagem de redução da taxa Selic para conseguir efeitos no
crescimento da economia ainda em 2012.
Ao
mesmo tempo, a revelação do BC gerou uma consequência boa para a equipe
econômica: tirou a urgência do debate sobre mudanças nas regras das cadernetas
de poupança nesse momento em que o governo enfrenta problemas na sua base de
sustentação no Congresso Nacional. Ao explicar que o juro ficará em um patamar
que a economia já conviveu no passado recente, o governo acredita que esfriará
o polêmico debate sobre as cadernetas porque, em 2009 - quando a taxa chegou em
8,75% -, não houve problemas com o tema.
Naquela
época, o menor juro da história suscitou debates sobre a necessidade de mudança
nas regras e também o alerta de que poderia haver migração em massa dos fundos
de investimento para as cadernetas, movimento que poderia atrapalhar a gestão
da dívida pública. Mas o problema não aconteceu. Por isso, hoje, o governo
entende que, ao explicitar o juro mínimo de 9%, mostra que não há pressa para
tocar o assunto porque, nesse patamar, gestão da dívida e poupança já
conviveram perfeitamente.
Efeito PIB
Uma
queda da Selic em doses menores - num período mais longo de tempo - poderia
retardar para 2013 os resultados desejados pela presidente Dilma Rousseff de
garantir um crescimento robusto da economia já este ano, segundo apurou o
Estado. Por isso, as indicações são de que o BC cortará a Selic em 0,75 ponto
porcentual na próxima reunião do Copom, em abril, para garantir que o impacto
da medida seja sentido este ano.
A
desaceleração mais forte da economia no segundo semestre do ano passado foi o
sinal para a urgência de acelerar o passo nesse início de ano. Os integrantes
do governo afirmam que, embora o BC só tenha a meta de inflação para perseguir,
o Copom também olha o ritmo de crescimento e outros indicadores para tomar as
suas decisões sobre juros. A área técnica da equipe econômica, internamente, já
aponta riscos relevantes de o crescimento ficar mais baixo do que os 3,5%
estimados pelo BC. A crise na indústria só agrava o quadro e amplifica a
possibilidade de um crescimento menor.
A
inflação em queda e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo do seu
potencial, na avaliação de fontes do governo, dão sustentação à decisão do
Copom. Para integrantes do governo, não houve erro de sinalização do BC e as
críticas do mercado estariam muito relacionadas às perdas sentidas por apostas
equivocadas.
Segundo
essas mesmas fontes, houve exagero do mercado no início desta semana ao
interpretar erroneamente como uma meta do governo a declaração do ministro da
Fazenda, Guido Mantega, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, de que a
taxa Selic vai convergir para os 6% da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).
"O
mercado viu o que quis para fazer ajustes", disse uma fonte.
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