12
de março de 2012 | 18h15
Paul
Krugman
Algumas
pessoas me pediram uma explicação rápida e fácil para a diferença entre um
governo e uma família – basicamente, o problema que haveria em dizer que,
quando as coisas vão mal, o governo deve apertar o cinto. Estou trabalhando
numa resposta. Mas, quem sabe, possamos usar a Grécia como uma rápida
ilustração do problema.
Afinal,
poderíamos encarar a Grécia como uma família que gastou demais, endividou-se e,
agora, seus membros vêem-se obrigados a fazer tudo aquilo que as famílias fazem
quando se descobrem em tal posição: cortar os gastos com aquilo que não é
essencial, adiar despesas grandes como o atendimento médico e coisas do gênero,
largar seus empregos e reduzir a própria renda – ei, espere aí.
É
este o ponto, é claro. Quando uma família aperta o cinto, ela não acaba com os
empregos que a sustentam. Quando um governo aperta o cinto diante de uma
economia deprimida, muitas pessoas são privadas de seus postos de trabalho; e
isto traz efeitos negativos até sob o ponto de vista estritamente fiscal e
míope do governo, pois uma economia em retração significa uma arrecadação menor.
Ora,
alguém poderia dizer que cortar gastos governamentais não significa realmente
eliminar postos de trabalho – alguém que tenha passado os últimos anos numa
caverna ou num centro de estudos estratégicos de viés conservador, alheio às
informações a respeito de como a austeridade tem funcionado na prática. Pois o
resultado das políticas de austeridade na Europa são o máximo que conseguiremos
em termos de testes macroeconômicos e, sem exceção, os grandes cortes nos
gastos governamentais foram seguidos por declínios acentuados no PIB.
Assim, é
melhor deixar o cinto para lá; trata-se de uma péssima metáfora.
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