quinta-feira, 1 de março de 2012

Estudo do FMI defende intervenção temporária de emergentes no câmbio

Álvaro Campos, da Agência Estado

Economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgaram um estudo no qual afirmam que, em alguns casos, é benéfico que países emergentes interfiram nos mercados de câmbio.

No estudo, os economistas Jonathan D. Ostry, Atish R. Ghosh e Marcos Chamon defendem que bancos centrais de países emergentes suavizem fortes oscilações nas suas moedas, em especial quando elas são causadas por choques econômicos externos que alimentam uma forte entrada de capital nas suas economias.

O artigo reflete uma mudança mais ampla na postura política do FMI, que nos últimos meses tem dado sinais de apoio a medidas adotadas por países emergentes - que são criticadas por alguns países desenvolvidos - como por exemplo o uso de controles de capital. O estudo analisa 14 países e suas políticas cambiais, incluindo Brasil, Coreia do Sul, Turquia, Polônia, Hungria e Tailândia.

"Se dois instrumentos de política monetária estão disponíveis (a taxa de juros e a intervenção nos mercados de câmbio), então eles devem ser utilizados em conjunto, para se atingir tanto a estabilidade de preços como os objetivos cambiais", diz o texto, intitulado "Dois Alvos, Dois Instrumentos: Políticas Monetárias e Cambiais em Economias de Mercados Emergentes".

No artigo, os economistas alegam que, em vez de prejudicar a credibilidade dos bancos centrais em relação às metas de inflação, as intervenções nos mercados de câmbio na verdade podem ajudar a credibilidade da autoridade monetária. Essa confiança conquistada pelos bancos centrais torna suas políticas mais eficientes.

"A ideia de usar mais ferramentas para lidar com problemas econômicos está ganhando força na esteira da crise financeira", diz Ostry, que é vice-diretor do departamento de pesquisa do FMI. "A visão estreita de que tudo estará bem desde que o banco central garanta preços estáveis aos consumidores simplesmente não se sustenta", acrescenta.

No texto, os autores afirmam que, em face de fortes oscilações no câmbio, rejeitar totalmente as intervenções "pode, na verdade, prejudicar a credibilidade do banco central, em vez de fortalecê-la". Mas eles também alertam contra intervenções unilaterais prolongadas, argumentando que essas medidas devem ser usadas para realinhar a moeda, não desalinhar. As informações são da Dow Jones.

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