Álvaro
Campos, da Agência Estado
Economistas
do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgaram um estudo no qual
afirmam que, em alguns casos, é benéfico que países emergentes interfiram nos
mercados de câmbio.
No
estudo, os economistas Jonathan D. Ostry, Atish R. Ghosh e Marcos Chamon
defendem que bancos centrais de países emergentes suavizem fortes oscilações
nas suas moedas, em especial quando elas são causadas por choques econômicos
externos que alimentam uma forte entrada de capital nas suas economias.
O artigo
reflete uma mudança mais ampla na postura política do FMI, que nos últimos
meses tem dado sinais de apoio a medidas adotadas por países emergentes - que
são criticadas por alguns países desenvolvidos - como por exemplo o uso de
controles de capital. O estudo analisa 14 países e suas políticas cambiais,
incluindo Brasil, Coreia do Sul, Turquia, Polônia, Hungria e Tailândia.
"Se
dois instrumentos de política monetária estão disponíveis (a taxa de juros e a
intervenção nos mercados de câmbio), então eles devem ser utilizados em
conjunto, para se atingir tanto a estabilidade de preços como os objetivos
cambiais", diz o texto, intitulado "Dois Alvos, Dois Instrumentos:
Políticas Monetárias e Cambiais em Economias de Mercados Emergentes".
No
artigo, os economistas alegam que, em vez de prejudicar a credibilidade dos
bancos centrais em relação às metas de inflação, as intervenções nos mercados
de câmbio na verdade podem ajudar a credibilidade da autoridade monetária. Essa
confiança conquistada pelos bancos centrais torna suas políticas mais
eficientes.
"A
ideia de usar mais ferramentas para lidar com problemas econômicos está
ganhando força na esteira da crise financeira", diz Ostry, que é
vice-diretor do departamento de pesquisa do FMI. "A visão estreita de que
tudo estará bem desde que o banco central garanta preços estáveis aos consumidores
simplesmente não se sustenta", acrescenta.
No texto,
os autores afirmam que, em face de fortes oscilações no câmbio, rejeitar
totalmente as intervenções "pode, na verdade, prejudicar a credibilidade
do banco central, em vez de fortalecê-la". Mas eles também alertam contra
intervenções unilaterais prolongadas, argumentando que essas medidas devem ser
usadas para realinhar a moeda, não desalinhar. As informações são da Dow Jones.
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