Senadores evitam falar sobre 14º e 15º
salários de auxílio-paletó
João Valadares e Junia Gama – www.uai.com.br
Publicação: 12/03/2012 07:28 Atualização:
12/03/2012 07:29
Depois da garantia do senador Delcídio do
Amaral (PT-MS) de que o projeto para acabar com a farra dos salários extras vai
à votação no próximo dia 20, a maioria dos senadores que integra a Comissão de
Assuntos Econômicos (CAE) fugiu do tema. Levantamento realizado pelo Estado de
Minas, desde terça-feira da semana passada, aponta que, dos 27 integrantes da
comissão, 14 preferiram não se manifestar sobre o assunto e 11 declararam ser
contra o recebimento dos rendimentos adicionais. O senador Ivo Cassol (PP-RO)
foi o único que admitiu abertamente o desejo de continuar ganhando dois
salários a mais do que qualquer trabalhador brasileiro. O senador Luiz Henrique
(PMDB-SC) estava se recuperando de uma cirurgia e, por isso, não falou.
Para Ivo Cassol, o salário de R$ 26,7 mil
pago aos senadores é muito pouco. Ele afirmou que utiliza grande parte do
dinheiro com o pagamento de remédios e tratamento para pessoas pobres. No
início da semana passada, logo depois de a Receita Federal instaurar
procedimento investigatório para apurar o calote no IR, líderes de bancada
fizeram uma defesa veemente da extinção da benesse. Nos bastidores do Senado,
no entanto, o sentimento era de descontentamento.
A maioria dos 27 senadores alega não poder
emitir opiniões sobre o tema por não conhecer o projeto. É o caso, entre
outros, do senador Lobão Filho (PMDB-MA), vice-presidente da CAE. Ele sustenta
que “ainda” não tem uma definição sobre o assunto porque não teve tempo de
analisar a proposta, apresentada há mais de um ano pela então senadora e atual
ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.
A justificativa de Lobão Filho esbarra no
fato de tratar-se de um texto de apenas duas páginas, que pode ser lido em
poucos minutos. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), ao ser procurado, alegou que
precisava ler antes o projeto. Depois de fazer isso, ele se posicionou
favoravelmente à eliminação dos pagamentos.
Há casos esdrúxulos, como o do senador
João Vicente (PTB-PI). O gabinete do parlamentar disse que o senador votaria “a
favor do que o plenário aprovasse”. Quando a reportagem insistiu para que João
Vicente se posicionasse, a assessoria respondeu que ele poderia ser “o último a
votar”, para acompanhar a decisão da maioria.
Para o cientista político Ricardo Caldas,
os senadores que alegam estar “refletindo” sobre o tema estão, na verdade,
esquivando-se do ônus de defender a manutenção dos benefícios. “Os 14 que não
se posicionaram são todos a favor de manter os salários extras, mas não têm
coragem de falar”, avalia. O professor teme que, caso a sociedade não fiscalize
a aprovação do projeto, os parlamentares acabem rejeitando o texto. Segundo a
secretaria-geral do Senado, a apreciação do projeto em questão é feita por voto
aberto, a não ser que um dos senadores apresente um requerimento definindo que
o voto seja secreto. Nesse caso, a escolha de cada parlamentar não seria
conhecida pelo público. “Se na hora da votação não houver fiscalização, eles
devem manter os salários. Caso o voto seja aberto é diferente, porque o ônus
político de rejeitar um projeto desses é muito grande”, acredita Caldas.
Fique de olho
27 senadores integram a
CAE
14 não se posicionaram
11 são contra os
salários extras
1 é a favor
1 não falou por
problemas de saúde
Não se posicionaram
Delcídio do Amaral (PT-MS)
Humberto Costa (PT-PE)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Vanessa Grazziotin (PC do B-AM)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Roberto Requião (PMDB-PR)
Lobão Filho (PMDB-MA)
Francisco Dornelles (PP-RJ)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
José Agripino (DEM-RN)
Demóstenes Torres (DEM-GO)
Armando Monteiro (PTB-PE)
João Vicente Claudino (PTB-PI)
João Ribeiro (PR-TO)
* o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) não
falou por problemas de saúde
Contra os salários extras
Eduardo Suplicy (PT-SP)
José Pimentel (PT-CE)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Acir Gurgacz (PDT-SC)
Casildo Maldaner (PMDB-SC)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Aloysio Nunes (PSDB-SP)
Cyro Miranda (PSDB-GO)
Clésio Andrade (sem partido-MG)
Kátia Abreu (PSD-TO)
A favor dos salários extras
Ivo Cassol (PP-RO)
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