10/04/2012
por Alexandro
Martello, Do G1, em Brasília
O presidente da
Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, levou ao Ministério
da Fazenda, nesta terça-feira (10), mais de 20 propostas para reduzir o chamado
"spread bancário", que é a que é a diferença entre o custo de captação
das instituições financeiras, ou seja, quanto pagam pelos recursos, e os
valores cobrados dos seus clientes. O encontro foi com o secretário-executivo
da pasta, Nelson Barbosa.
Além do lucro dos
bancos, o spread também é composto pela taxa de inadimplência, por custos
administrativos, pelos depósitos compulsórios e pelos tributos cobrados pelo
governo federal, entre outros.
Na visão do
representante dos bancos, é preciso reduzir os custos das instituições
financeiras para que o "spread bancário" e, consequentemente, as
taxas de juros, possam ser reduzidos. Isso passaria, segundo Murilo Portugal,
pela redução do nível compulsório (parte dos depósitos à vista e a prazo que
têm de ser mantidos no BC), da tributação (IOF para operações de crédito e CSLL
sobre o lucro das instituições financeiras), além da regulamentação do Cadastro
Positivo e do aumento das garantias concedidas - que poderiam ser, até mesmo,
os recursos depositados nos planos de previdência complementar.
"Nessa
reunião [no Ministério da Fazenda], nós reafirmamos o que vínhamos falando
anteriormente. Que há interesse dos bancos em reduzir os spreads. No Brasil,
70% dos spreads são custos para os bancos. Existe uma confusão muito grande de
que os spreads representam o lucro dos bancos. Na verdade, uma pequena parte
dos spreads, em torno de 30%, representam a margem de lucro dos bancos. O
restante são custos. Custos que os bancos têm de pagar. E como qualquer
empresa, os bancos também têm interesse em reduzir estes custos", declarou
Murilo Portugal a jornalistas.
Pressão do
governo
As declarações do
presidente da Febraban acontecem em um momento em que há uma pressão do governo
para que o spread bancário seja reduzido.
Na semana passada,
por exemplo, a presidente Dilma Rousseff voltou a pedir diminuição do "spread" dos
bancos como medida para facilitar o acesso de empresas ao crédito no país.
Para ela, é "tecnicamente difícil" explicar a taxa e é necessária uma
"discussão" sobre o tema. Nesta segunda-feira (9), em viagem aos
Estados Unidos, a presidente voltou a afirmar que considera os spreads dos bancos
brasileiros "tecnicamente de difícil explicação".
Para estimular a
redução dos juros bancários no Brasil, os dois principais bancos públicos do
país, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, anunciaram nos últimos
dias reduções nas taxas de juros de suas principais linhas de crédito. Os bancos privados informaram que
estão avaliando a possibilidade de seguir este movimento e também baixar os
juros de suas operações de crédito.
Participação
do lucro dos bancos no 'spread bancário'
Segundo relatório
divulgado pelo Banco Central em novembro do ano passado, a parcela do lucro dos
bancos em todo o valor do spread subiu de 29,94% do total em 2009 para 32,73%, quase de 1/3 do total, em
2010. Desde 2004, trata-se da segunda maior participação do
lucro dos bancos no "spread" - perdendo apenas para 2008 (34,69% do
total). Os dados do BC também revelam que, nos bancos privados, a parcela de
seu spread destinado ao lucro foi de 34,15% em 2010, mais alto do que os 30,60%
registrados nos bancos públicos.
Nesta terça-feira
(10), levantamento da consultoria Economatica revelou que o setor bancário, representado por 25
bancos, foi o que registrou o maior volume de lucro entre as empresas de
capital aberto em 2011 no Brasil. Segundo o estudo, os 25
bancos registraram lucro de R$ 49,4 bilhões no ano passado, crescimento de
14,48% em relação a 2010. O lucro do setor bancário representa 39,4% do total
acumulado pelas 344 empresas consideradas no levantamento, que não inclui
Petrobras e Vale.
Na avaliação do
presidente da Febraban, Murilo Portugal, porém, a taxa de retorno sobre o
patrimônio líquido dos bancos brasileiros "não é diferente do que ocorre
nos outros países e nem é diferente do que ocorre na própria economia
brasileira com outros setores". "A lucratividade dos bancos está dentro
dos padrões internacionais. O retorno médio sobre o patrimônio líquido foi de
18% em 2011, dentro dos padrões internacionais. Está dentro do padrão de outros
setores da economia", afirmou ele.
Propostas da
Febraban
Além da redução
dos compulsórios (que a Febraban informou ser o maior índice do mundo), da
tributação, do aumento na concessão de garantias pelos clientes bancários e da
regulamentação do Cadastro Positivo, o presidente da Febraban também propôs,
nesta terça-feira, a extensão, para todas operações de crédito, da continuidade
do pagamento do "valor em controverso".
"Quando
alguém entra em juízo para questionar a taxa de juros, por exemplo, ele
continua pagando o principal. Isso já existe em relação ao crédito imobiliário.
Seria importante estender para as operações de crédito em geral pois reduziria
o custo da inadimplência", disse Portugal.
Segundo ele, outra
medida que poderia ser tomada é o estabelecimento de outro conceito existente
para as operações de crédito imobiliário, a chamada "capitalização mensal
de juros". "É uma coisa que não é mais discutida no crédito
imobiliário. Houve uma lei pacificando isso. Estender esse conceito, que já
existe no crédito imobiliário, para as demais operações. São juros sobre a
dívida que existe", afirmou.
Tem gente que ainda não entendeu que o Brasil é outro agora...
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