06 de abril de 2012 | 22h 45
Fernando Nakagawa, de O Estado de S. Paulo
Nem
bem a corrida pelo aumento do crédito e redução dos juros começou e os bancos
públicos já estão em desvantagem. Pelo menos quanto à classificação dos
empréstimos concedidos aos clientes. Dados do Banco Central mostram que o Banco
do Brasil e a Caixa Econômica Federal têm operações para pessoas físicas com
classificação de risco pior que nos concorrentes privados.
Quando
um financiamento é realizado, bancos avaliam a transação e atribuem uma nota
individual. É parecido com o que as agências de classificação de risco fazem
com os países. Pelos critérios do Banco Central, as avaliações vão de
"AA" até "H", a pior entre as nove possíveis.
Nas
duas primeiras notas - "AA" e "A" - estão as melhores
operações e que têm o menor risco de calote. A partir de "B", ficam
os financiamentos com atraso de 15 dias no pagamento ou risco equivalente. No
"H" estão os clientes que não pagam há mais de seis meses.
Por
esse critério, bancos particulares têm boa parte dos clientes na melhor faixa,
entre o "AA" e "A": 75,9% dos empréstimos para pessoas
físicas recebem essa classificação. Nos públicos, a situação é oposta: a
maioria está no grupo entre "B" e "H", faixa que concentra
55% dos financiamentos. Portanto, a fatia dos melhores clientes fica com 45%
das operações.
Menos favorável. "O número é claro e mostra que bancos públicos direcionam crédito
para pessoas que, no mínimo, têm uma condição menos favorável para pagar ou,
pior, que esses clientes atrasam constantemente", diz o professor de
finanças do Insper, Ricardo José de Almeida.
O
BB e a Caixa vão reduzir a partir desta semana os juros de várias linhas de
crédito. O objetivo é tirar parte da clientela dos bancos privados. Além disso,
o governo acredita que o movimento pode incentivar a concorrência e provocar a
redução dos juros em todo o mercado.
Os
números do BC mostram que o crédito às famílias nos bancos particulares está
concentrada na faixa com nota "A". Já nos estatais, a maior
participação vem dos financiamentos com classificação "B" e
"C".
Bancos
públicos se defendem e argumentam que seguem o conceito previsto pelo BC que
cita que operações entre "AA" e "C" recebem avaliação como
"risco normal".
O argumento
é que não importa se a operação é "AA" ou "C" porque todas
podem ser incluídas no grupo "risco normal". É mais ou menos o que
acontece com os fundos estrangeiros autorizados a aplicar em países que
receberam a chancela de "grau de investimento". Pelo discurso dos
estatais, é semelhante comprar um título da dívida da Alemanha - que tem o
melhor rating do mundo - ou do Azerbaijão - nação
E a mídia jogando contra...
ResponderExcluirTúlio,
ExcluirConcordo com você. Inclusive comentei isso com Tio João.
Os bancos públicos são os únicos que podem correr risco de empresar dinheiro para famílias mais pobres. Nestes casos sempre haverá um risco maior. Este é o papel e sua função social de um banco público. Mas também há estudos que a reportagem não cita. Os mais pobres são os mais preocupados em manter o "nome limpo", pois precisam constantemente do crédito. Mesmo havendo atrasos eles retornam para negociar ou quitar seus débitos.