07 de abril de 2012 | 20h 07
Por Adriana
Fernandes e Fernando Nakagawa, da Agência Estado
O
governo resolveu aumentar a pressão sobre os bancos privados para reduzir o
custo dos empréstimos oferecidos aos clientes. Depois de a presidente Dilma
Rousseff ter reclamado que o nível das margens cobradas nessas operações, o
spread bancário, é "tecnicamente de difícil explicação no Brasil",
agora é a vez de o Banco Central entrar na briga.
A
instituição estuda criar um ranking para revelar a margem cobrada por banco e,
assim, mostrar quem ganha mais com os financiamentos. Em meio ao aperto,
banqueiros se reúnem novamente com o governo nesta semana e apresentarão
propostas iniciais para reduzir o juro.
Após
cobrança aos presidentes dos cinco maiores bancos no Brasil – Itaú, Bradesco,
Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Santander – em reunião no fim de
março, banqueiros voltam ao Ministério da Fazenda nos próximos dias para
apresentar ideias do que pode ser feito para reduzir o spread, especialmente
para as pessoas físicas.
O
segundo encontro entre banqueiros e governo ocorre sob pressão crescente. Além
da posição explícita da Fazenda em cobrar solução para o problema, o Banco
Central decidiu ser mais "proativo" na discussão. A criação do
ranking de spreads, nos mesmos moldes do sistema que compara o juro nas
operações de crédito, é um dos exemplos dessa mudança de comportamento.
O
instrumento revelaria as diferentes margens dos bancos nos empréstimos e
poderia ser uma arma para consumidores pressionarem instituições a cortar o
juro. O tema é acompanhado de perto pela presidente Dilma Rousseff.
No
início de 2009, o governo chegou a estudar a criação do ranking. O então
presidente Luiz Inácio Lula da Silva era simpático à ideia, assim como
integrantes do Ministério da Fazenda. O BC, porém, resistiu, e a proposta
acabou não prosperando.
Propostas. Com a volta do polêmica sobre as margens nas operações de crédito, os
bancos privados costuram algumas ideias para levar ao Ministério da Fazenda.
Para os bancos de menor porte, por exemplo, há a intenção de captar recursos em
grupo, o chamado "pool de captação", com a emissão de papéis únicos
como Certificados de Depósito Bancário (CDB). Nesse tipo de operação, o custo é
menor, o que poderia diminuir o juro final nos empréstimos.
Outra
proposta que volta ao radar é a possibilidade de clientes sem emprego fixo, mas
com cotas de um fundo de previdência privada, possam tomar empréstimos mais
baratos. Nesse caso, o juro seria semelhante ao do crédito consignado porque o
cliente ofereceria as cotas do fundo de pensão como garantia.
A Federação
Brasileira de Bancos (Febraban) disse que não comentaria o tema. O setor deve
permanecer discreto com relação ao assunto até que as propostas sejam
encaminhadas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário