05 de abril de 2012 – Estadão.com.br
por Ricardo Leopoldo
A
professora da PUC-RJ e diretora da Casa das Garças, Monica Baumgarten de Bolle,
afirmou à Agência Estado que se tornaram majoritárias as chances do Banco
Central (BC) cortar a Selic abaixo de 9% neste primeiro semestre.
"Acredito que os juros devem encerrar 2012 em 8,5%", comentou.
Segundo ela, o BC aproveitaria uma "janela de oportunidade" gerada
pelo bom comportamento da inflação para reduzir a taxa para uma marca
inferior aos 9% sinalizados pela ata da reunião do Copom de março.
Na
avaliação de Monica, a queda da Selic para 8,5% aproveita os resultados
melhores do que o esperado para o IPCA neste início de ano. O índice subiu
0,21% em março, abaixo de 0,37% que era a mediana apurada pelo AE-Projeções com
analistas de mercado. "Mas a redução dos juros faz parte de uma estratégia
de governo curto prazista, que visa aproveitar que a inflação não preocupa
neste momento para diminuir a Selic ao máximo", destacou.
Entre
os objetivos de política econômica do Poder Executivo, destaca a acadêmica, a
prioridade é a meta de crescimento. Quanto à inflação, ela pondera que o foco
da administração federal é levá-la para um patamar ao redor de 5,5%.
Em
função do pacote de estímulos de R$ 60,4 bilhões que o governo deve conceder à
indústria e da ação do governo para que o câmbio não fique abaixo de R$ 1,80,
Monica de Bolle avalia que a inflação não deverá atingir os 4,4% projetados
pelo Banco Central neste ano. "O IPCA deve ficar ao redor de 5,5% em 2012,
inclusive porque quando a economia pegar tração, especialmente no segundo
semestre, isso vai acabar pressionando os preços para cima", disse.
Por
outro lado, ela avalia que são muito pequenas as possibilidades de o Produto
Interno Bruto (PIB) avançar 4,5% neste ano, como afirmou o ministro da Fazenda,
Guido Mantega. Ela estima que o PIB deve apresentar um incremento ao redor de
3%, um número não muito distante dos 2,7% apurados em 2011.
"Há
uma contradição no discurso do governo: de um lado estimula a economia, com
medidas fiscais e redução dos juros, que inclusive pode chegar a 8,5% neste
ano, enquanto o BC manifestou no seu relatório de inflação de março que as
defasagens relativas a variações da Selic sobre o nível de atividade ocorrem
com defasagens de um a dois anos", disse. Nesse contexto, ela espera que o
IPCA poderá ficar pouco superior a 6% em 2013, mesmo depois de atingir um
número próximo a 5,5% neste ano. Ela fez os comentários após o evento MacroVision
2012, promovido pelo banco Itaú BBA.
Nenhum comentário:
Postar um comentário