12 de maio de 2012 | 20h 00
Por Fernando
Dantas, de O Estado de S.Paulo
RIO
- O juro real vem caindo fortemente no Brasil por causa da conjuntura interna e
externa, que oferece uma oportunidade histórica de se jogar para níveis mais
baixos todo o ciclo de altas e quedas da taxa básica, que caracteriza a
política monetária em qualquer economia de mercado.
A afirmação é do
presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, que conversou como Estado
na sexta-feira. Ele reafirmou que o BC mantém a sua autonomia e, se tiver de
aumentar a Selic, a taxa básica, no futuro, o fará sem qualquer
constrangimento. "A Selic vem caindo, levando à significativa redução do
juro real, por causa de uma combinação muito específica de fatores internos e
externos, e não para agradar à presidenta Dilma", disse Tombini.
"Os
ciclos econômicos sempre existirão", ele continua, mas acrescentando que
um eventual novo movimento de alta da Selic iria se dar a partir de níveis bem
mais baixos de juro real.
Tombini
endossa a visão de que na economia pode haver mais de um equilíbrio em termos
de juro real e de indicadores que importam para a política monetária, como
crescimento da economia, inflação e emprego.
Nessa
visão, o Brasil permaneceu preso durante décadas num equilíbrio em que as taxas
de juros reais eram muito altas. Assim, para Tombini, aproveitar o a
oportunidade para a redução mais substancial dos juros, que pode levar a
economia a um equilíbrio melhor, pode trazer benefícios para o País - desde
que, ressalta, todo esse movimento esteja ancorado na autonomia do BC e no bom
funcionamento do sistema de metas de inflação.
Ele
nota que a leitura dominante no início do ano - presente, por exemplo, num
encontro de bancos centrais, fundos de pensão e fundos hedge em Hong Kong em
fevereiro, da qual participou - era de que a economia global estava reaquecendo.
Os sinais positivos eram o desempenho melhor da economia americana e os efeitos
tranquilizadores das operações de refinanciamento de bancos pelo Banco Central
Europeu (BCE).
Tombini
revelou que o BC brasileiro não ficou imune a essa visão. Assim, a ata da
reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de março, com referência à alta
probabilidade de que a Selic caísse a um nível ligeiramente acima do mínimo
histórico (o que foi interpretado pelo mercado como 9%), e lá permanecesse, foi
escrita à luz daquela percepção.
As
perspectivas globais, porém, já mudaram de novo. A recente indicação, inclusive
por meio da mudança das regras da poupança, de que a Selic pode cair mais do
que a sinalização da ata de março decorre, entre outros fatores, da piora no
cenário americano e europeu. O Brasil também é afetado, especialmente pelo
canal do comércio. "Mas o crescimento virá", diz Tombini,
acrescentando que o PIB deve crescer mais no segundo semestre do que no
primeiro.
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