quarta-feira, 9 de maio de 2012

Quem fala demais dá bom dia a cavalo? Dilma exige retratação e manda segundo recado para a Febraban.

por Marcelo Pereira de Mendonça



A Febraban – Federação Brasileira dos Bancos não sabe com quem está mexendo.

A presidente Dilma mandou o seguinte recado para a Febraban: “Quem fala demais dá bom dia a cavalo”.

Na segunda-feira o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg assinou relatório criticando a redução dos juros e questionou o potencial efeito dos juros mais baixos sobre a oferta de crédito. O economista chamou a atenção para a elevação do nível de inadimplência no país e afirmou que: “Você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber água”.

A realidade é outra por trás deste relatório. Na verdade os bancos não querem deixar de ter lucro extraordinário e fácil. Também não querem concorrência e muito menos perder os benefícios que um oligopólio pode lhes garantir. Registre-se aqui que em 2011 os cinco maiores bancos do país obtiveram lucro líquido na ordem de R$ 51 bilhões (Itaú – R$ 14,6 bi; Banco do Brasil – R$ 12 bi; Bradesco – R$ 11 bi; Santander – R$ 7,8 bi e Caixa Econômica Federal – R$ 5,2 bi).

Mas a Febraban não sabia que no Palácio do Planalto tem uma presidente mineira “cabra macho”, que não gostou do tom usado pela federação (bancos associados) e exigiu imediata retratação. A presidente interpretou a frase como uma provocação dos bancos e mandou o segundo o recado de que não quer ouvir outras manifestações políticas da federação contra o governo.

Este relatório divulgado na segunda-feira foi a gota d’água. Aliás, a segunda gota d’água. A primeira foi uma declaração do presidente da Febraban, Murilo Portugal, ao deixar claro que a obrigação da redução dos juros estaria com o governo, ou seja, a culpa do spread bancário seria do governo e não da ganância dos bancos por lucro.

Os jornais desta quarta-feira informam que vários presidentes de bancos ligaram tentando desfazer o mal entendido e reafirmar que estão comprometidos com o projeto do governo de reduzir os juros. Viram que estão mexendo num vespeiro chamado Dilma.

Não vamos tirar a responsabilidade do governo nisso. O governo fez sua parte ao usar os bancos públicos para estimular a competição, mas ainda tem que fazer mais reduzindo os tributos e também os depósitos compulsórios.

Registre-se que a Febraban está com muita saudade das eras FHC e Lula, quando não eram incomodados. Vamos ficar de olho, pois os bancos vão querer a volta do Lula.

3 comentários:

  1. Boa análise. A Dilma vai mudar o Brasil mais que o Lula. Este (e o outro) Sardenberg são canalhas!

    Marco Tulio Motta

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    1. Obrigado. O Sardenberg (CBN) é um liberal que está ficando fora de moda. Quase ninguém compra mais seu discurso. O Sardenberg (Febraban) virou boi de piranha ao cumprir ordens do seus associados e se deu mal.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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