Governo vai editar decreto forçando operadoras a permitir que concorrentes usem seus dutos para a instalação de fibras ópticas
09 de maio de
2012 | 22h 00
BRASÍLIA - Para dar mais eficiência às redes de telecomunicações
do País, o governo comprou uma briga antiga que divide o setor e vai editar um
decreto forçando as companhias a dar passagem às outras dentro de suas redes,
além de obrigar a introdução de fibras ópticas em todas as obras públicas de
transporte, como rodovias, ferrovias e gasodutos.
"O Brasil não é rico, então não há racionalidade em fazer
infraestrutura paralela. Imagina fazer uma infraestrutura daqui até Belém, mais
de 1.000 km, e outro competidor ter de fazer outra", disse ao Estado o
ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. "(O compartilhamento) é mais
barato, tem um custo marginal muito menor", completou.
O decreto também disciplinará o chamado direito de passagem, que
permite que uma companhia do setor aproveite um duto já instalado por outra
para passar seus próprios cabos. "Isso vai duplicar a capacidade, mas não
duplica a infraestrutura", afirmou o ministro.
Distorções. A edição do decreto é mais uma intervenção do
governo para corrigir distorções no mercado de banda larga no atacado, que
também estão sendo atacadas por dois novos regulamentos que a Agência Nacional
de Telecomunicações (Anatel) prepara ainda no primeiro semestre, para abrir de
vez o uso das redes dessas companhias aos seus competidores.
O primeiro deles foi aprovado na semana passada pelo órgão
regulador.
Trata-se do Regulamento de Exploração Industrial de Linha
Dedicada (EILD), que determina a oferta obrigatória pelas maiores companhias de
capacidade de tráfego para as menores, mediante a cobrança de uma remuneração
"isonômica e equilibrada", ou seja, sem discriminação aos
concorrentes em cada mercado.
Logo de cara, o regulamento exige uma redução em pelo menos 30%
dos atuais preços de referência cobrados nos contratos de EILD Padrão, que são
aquelas vendas de capacidade em redes com sobras de disponibilidade, ou seja,
que não demandam novos investimentos por parte das companhias proprietárias da
infraestrutura. Já nos contratos de EILD Especial, que exigem ampliação das
estruturas, a negociação continua livre.
"Como ainda não tínhamos isso amarrado, uma empresa poderia
vender capacidade para um concorrente pelo preço ‘x’ e para outro por um preço
dez vezes maior", disse Paulo Bernardo. "Agora o preço vai ter de ser
isonômico", enfatizou.
O outro regulamento que deve ser aprovado pela Anatel até julho
trata do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), que abrirá caminho nas
redes dos maiores grupos do setor para as menores empresas e para que pequenos
provedores consigam chegar aos usuários finais, seja nos serviços de telefonia,
internet ou TV por assinatura. Além da rede, postes e torres também deverão ser
compartilhados.
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