17/06/2012
por Maria Denise Galvani
- Do UOL, no Rio
Um novo cálculo apresentado neste
domingo (17) pelas Nações Unidas tenta integrar aspectos sociais e ambientais
ao crescimento econômico para medir o grau de desenvolvimento sustentável de um
país. No primeiro relatório do Índice de Riqueza Inclusiva da ONU, que analisou
dados de 20 países, o Brasil ficou em quarto lugar – empatado com a Índia, o
Japão e o Reino Unido e na frente de países como Noruega e Estados Unidos.
Pontuar melhor no índice de
Riqueza Inclusiva significa ter um padrão de crescimento econômico mais
sustentável, na visão da ONU. A China foi a primeira colocada, seguida pela
Alemanha.
“É importante saber o quanto a
economia de um país cresceu, mas também como ela cresceu”, disse Pablo Munoz,
diretor científico do Relatório de Riqueza Inclusiva 2012. “Este índice alia as
variações de estoque no capital econômico, no capital humano e no capital
natural que sustentam o crescimento do país”, afirma Pablo Munoz, diretor
científico do Relatório de Riqueza Inclusiva 2012.
O índice foi criado em parceria
pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Universidade
das Nações Unidas sobre Mudança Ambiental Global (UNU-IHDP) e apresentado
durante a Rio+20. A Rio+20 é a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento
Sustentável, que vai até o dia 22 de junho, no Rio.
Alternativa ao PIB
A substituição do Produto Interno
Bruto -- a soma de todas as riquezas produzidas por um país -- por um indicador
de desenvolvimento sustentável pode ser uma das contribuições da Rio+20 para a
comunidade internacional.
"Eu não diria que vamos
substituir o PIB como medida de desenvolvimento, já que ele é medido hoje por
cerca de cem países, com base em indicadores bastante confiáveis", diz
Munoz. "Não sei em quanto tempo isso acontecerá, mas a tendência é que os
índices de desenvolvimento evoluam para medir outros aspectos além da
produção."
A consequência prática dessa
mudança de paradigma seria que não só o crescimento do PIB, mas que indicadores
sociais e ambientais motivassem as políticas de cada país. O desafio é chegar a
um índice que leve em conta as várias dimensões do desenvolvimento sustentável
e seja aplicável internacionalmente, passível de ser medido
em todos os países.
Desde a Rio92, quando a
revisão do PIB como indicador de desenvolvimento já estava em pauta,
surgiram propostas de redefinição do indicador. Poucas, no entanto, foram
testadas na prática e adotadas internacionalmente por outros países.
A mais conhecida e utilizada das
medidas de desenvolvimento alternativas ao PIB é o Índice de
Desenvolvimento Humano, medido pela ONU desde 1990. Em 2010, o Índice passou
por uma reformulação, a fim de refletir melhor os valores da sociedade com
relação a desenvolvimento sustentável.
Nenhum comentário:
Postar um comentário