02 de junho de 2012
por Raquel Landim e Renée Pereira, de O Estado de S.
Paulo
O Brasil
não vai poder contar com o entusiasmo das empresas para estimular a economia.
Depois de crescimento de apenas 0,2% do Produto Interno Bruto no primeiro
trimestre do ano, em grande parte por causa da queda dos investimentos, um
mapeamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
aponta que as empresas vão investir R$ 35 bilhões a menos em quatro anos, uma
retração que preocupa o governo.
Segundo
os dados do BNDES, o País deve ter R$ 579 bilhões em investimentos em oito setores
industriais entre 2012 e 2015 - valor 6% menor que os R$ 614 bilhões estimados
no ano passado para o período 2011-2014. "Não dá para negar que fomos
afetados pela crise mundial. Mas o Brasil ainda é um dos países onde há mais
oportunidades", diz Fernando Puga, chefe do departamento de acompanhamento
econômico do BNDES.
Outra
pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp),
com 1.202 empresas, aponta na mesma direção. O levantamento mostra que o volume
de investimentos em máquinas e equipamentos será 11% menor este ano que em
2011, quando foram aplicados R$ 97,28 bilhões. As empresas vão deixar de
investir R$ 7,6 bilhões na expansão da produção em 2012.
"Uma
parte da indústria está ociosa por falta de demanda no mercado externo. Outra
parte não consegue competir com os importados. Se você vende menos no mercado
interno e a exportação cai, por que vai investir?", questiona José Ricardo
Roriz Coelho, diretor do departamento de competitividade e tecnologia da Fiesp.
Dos 14 setores pesquisados pela Fiesp, 11 vão reduzir os investimentos em 2012.
Vários
fatores contribuem para o desânimo. No front externo, aumenta a expectativa
sobre a saída da Grécia da zona do euro e a China desacelera mais forte que o
previsto, derrubando os preços das commodities. No front interno, o crescimento
baixo do PIB no trimestre também afeta o humor. "A indústria está
estagnada, o que elevou a ociosidade e inibiu os investimentos", diz Júlio
Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos sobre o
Desenvolvimento Industrial (Iedi).
Os
especialistas estão mais receosos com o impacto da crise nos investimentos hoje
do que quando a crise começou, em 2008. Naquela época, não houve cancelamento
de projetos, porque a economia local se recuperou rápido e ainda havia
esperanças que os países ricos fossem mais ágeis para sair da crise.
No primeiro
trimestre, os investimentos diminuíram 1,8% em relação ao quarto trimestre de
2011, segundo o IBGE. Em abril, o consumo de máquinas caiu 6% em relação a
março. "Está um clima de pasmaceira no mercado", diz Carlos
Pastoriza, diretor da Abimaq, associação dos fabricantes de máquinas.
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