Luciana Nunes Leal, do Rio de Janeiro – Estadão.com
No primeiro passo para as Contas Ambientais, que
incluem o impacto dos recursos naturais no cálculo do PIB, o Brasil seguirá o
caminho de países como Holanda e Canadá: começará pela água e depois vai
incorporar florestas e fontes de energia nos cálculos das Contas Nacionais. No
futuro, as novas metodologias levarão à divulgação regular de um “PIB Verde”
dos países, que contabiliza as perdas e a exaustão dos recursos do meio
ambiente na produção de riqueza.
Para avançarem nas contas ambientais, o países
seguirão os padrões metodológicos das Nações Unidas, reunidos na publicação
Sistema de Contas Econômicas Ambientais (SEEA, na sigla em inglês), apresentada
ontem por representantes de institutos de estatísticas de vários países e de
organismos internacionais, na sede do IBGE.
O representante do Programa das Nações Unidas para o
Meio Ambiente (Pnuma), Sheng Fulai, criticou o uso do PIB como padrão de
riqueza, por valorizar informações econômicas e não levar em conta dados
ambientais e de sustentabilidade. “O PIB tende a ser usado de maneira
equivocada. O PIB não é indicador de progresso, como tem sido usado”, afirmou
Fulai, chefe de pesquisa do departamento de Economia e Comércio do Pnuma. “É
como o painel de um carro. Se o hodômetro (instrumento que mede quilômetros
rodados) não estiver correto, pode causar problemas para o motorista e outras
pessoas”, comparou.
As primeiras discussões sobre Contas Ambientais
começaram na Rio-92, mas tiveram poucos avanços nestes vinte anos. Finalmente,
no início deste ano a ONU consolidou o padrão da nova contabilidade.
Especialista em economia verde, Sheng Fulai, apontou
outros “problemas” do PIB como é medido atualmente: “Não é completo, porque
impactos ambientais e sociais não são considerados. E não é preciso, por
exemplo, por não considerar a exaustão de recursos”. “O PIB Verde é o
guarda-chuva que pode resolver essas questões e o SEEA é a primeira realização
concreta desde a Rio 92. É o pai e a mãe de todas as ações”, afirmou o
representante do Pnuma. O encontro dos técnicos do Comitê das Nações Unidas de
Especialistas em Contas Econômicas Ambientais começou na segunda-feira e
termina amanhã.
A presidente do IBGE, Wasmália Bivar, explicou que a
opção por começar as contas ambientais pela água foi tomada pelo fato de haver
mais informações disponíveis sobre o recurso natural. Um convênio com a Agência
Nacional de Águas (ANA) firmado no mês passado foi o ponto de partida para a
medição do impacto dos recursos hídricos nas Contas Nacionais.
Wasmália disse que os trabalhos para a medição do
impacto da água doce nas Contas Nacionais começam logo depois da Rio+20, mas
não soube estimar quando o indicador passará a fazer parte da divulgação
regular do PIB brasileiro. “O objetivo final é chegar em uma medida comparável
em valores com outros países e acompanhar o desempenho ano a ano no País”,
disse a presidente do IBGE.
As Contas Econômicas Ambientais da Água vão levar em
conta o volume de estoque de água doce no País e procurar uma valor monetário
para o gasto em água na produção de bens e serviços e também no uso doméstico.
Segundo Wasmália, a pergunta central é “quanto de água o País usa para produzir
o PIB?” Países como México, Holanda e Canadá são, segundo técnicos do IBGE, os
mais desenvolvidos no impacto de recursos naturais no PIB, especialmente a
água.
A representante do Banco Mundial, Glenn-Marie Lange, disse que o organismo
já conseguiu US$ 15 milhões para o fundo que financiará a elaboração das contas
ambientais da água em seis países (Filipinas, Madagascar, Botswana, Colômbia,
Costa Rica e Vietnã) e aproveitará a Rio+20 para buscar novos recursos.
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