Os
líderes republicanos hoje são fracos diante dos que querem sabotar o governo
Obama e a nova lei de acesso à saúde
por Paul Krugman, The New York Times — publicado
30/09/2013 03:35
Uma década atrás, na introdução à minha coletânea
de ensaios The Great Unraveling, afirmei que o Partido Republicano moderno era
um “poder revolucionário” no sentido anteriormente definido por Henry Kissinger
– um poder que não aceitava mais qualquer das normas da política habitual, que
estava disposto não apenas a assumir posições radicais, como a agir de maneira
que minava todo o sistema de governança que as pessoas pensavam compreender.
Na época, recebi muitas críticas por ser tão
“estridente”. O aceito era criticar os dois lados igualmente, equilibrar cada
coluna que dizia coisas más sobre os republicanos com outra atacando os
democratas, insistir que qualquer sinal de um sistema político disfuncional repousava
em graus equivalentes de intransigência em ambos os lados.
Agora enfrentamos a ameaça iminente de um
bloqueio e/ou uma moratória do governo nos Estados Unidos, porque os
republicanos se recusam a aceitar a ideia de que a lei devidamente aprovada
deve entrar em vigor, e ser refutada apenas por meios constitucionais. E a
causa pela qual a maioria do Grande Velho Partido se dispõe a ameaçar com o
caos é a nobre missão de garantir que dezenas de milhões de americanos
continuem sem atendimento básico de saúde.
Hum... Talvez eu estivesse certo? Não. A loucura
republicana pode ser óbvia hoje, mas reconhecê-la cedo demais ainda rotula uma
pessoa como inconfiável e partidária.
É verdade que a situação mudou um pouco desde
2003. Na época, os republicanos eram radicais, mas racionais: os Bush
exploravam a recusa dos que defendiam a sabedoria convencional a reconhecer a
nova assimetria na política americana para empurrar as coisas que eles queriam,
como cortes de impostos e uma guerra baseada em falsas alegações. Hoje em dia,
os líderes republicanos são fracos, aparentemente impotentes diante dos tolos
jacobinos que imaginam que sabotar o governo poderá fazer o presidente Obama
minar sua única grande realização, a nova lei de acesso à saúde (Affordable
Care Act).
Mas o ponto-chave é que hoje estamos em um
terreno político maluco. Os analistas mergulharam na questão da Síria com um
evidente suspiro de alívio – esse tipo de coisa, com todo o discurso sobre
liderança presidencial etc., era território confortável. Mas pelo menos para os
EUA era uma questão secundária. O confronto político, que hoje parece quase
garantido que produzirá pelo menos algumas semanas de caos, é a principal.
Tentando
salvar a cara
Era previsível que os “austerianos” da Europa se
declarassem vingados ao primeiro sinal de recuperação econômica. Mas um
editorial do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, no Financial
Times, em que ele reivindica a vingança completa porque a Europa teve um –
sim, um – trimestre de crescimento é bastante incrível, mesmo em relação
às expectativas.
É preciso muita ousadia para alegar que isso é um registro de
uma preparação bem-sucedida para a transformação estrutural. E todos os meios
de vida – e em alguns casos vidas – destruídos? Que dizer dos milhões de jovens
europeus que ainda não têm esperança de conseguir um emprego decente?
Faço uma exceção profissional particular à
alegação de Schäuble de que a Europa está seguindo a receita da Suécia no
início dos anos 1990 e a da Ásia no fim dessa década. Essas receitas envolviam
grandes desvalorizações da moeda, e não a lenta e penosa “desvalorização
interna” que supostamente acontece nos países da periferia europeia. E, como
salientei diversas vezes, as economias asiáticas se recuperaram rapidamente, em
nada parecido com a quase interminável depressão na maior parte da Europa.
O que precisamos
perceber aqui, porém, é que nesta altura não é apenas uma questão de ideologia:
egos e carreiras estão em jogo. A evidência sugere que os austerianos da Europa
fizeram uma coisa terrível, arruinando a vida de milhões de pessoas. Eles nunca
vão admitir isso. Vão se agarrar a qualquer coisa que lhes dê uma saída.
•
O
economista Antonio Fatas está, como eu, atônito diante da aparente incapacidade
da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) de nem
sequer admitir a possibilidade de que o mau desempenho econômico da Europa é
consequência da austeridade fiscal. Em um nível, é claro, isso é perfeitamente
compreensível. A OCDE, em geral, esteve entre os maiores e primeiros promotores
da austeridade. Pode-se ver por que eles não querem admitir que estavam, na
verdade, promovend
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